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Sindicato dos  Práticos de  Farmácia e Empregados no Comércio de Drogas,  Medicamentos e Produtos Farmacêuticos de Santos e Região

 
   

                                         

 
 

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BULA: APRENDA A CONHECÊ-LA

 

Todos nós já olhamos uma bula de um medicamento. Mas sabemos o que ela contém? vamos tentar traduzí-la. A palavra bula vem do latim e quer dizer selo, oval ou circular, com o nome ou imagem de seu dono, usado em documentos oficiais. Com o tempo bula passou a significar o próprio documento em que era posto o selo. A bula de um medicamento é um documento com informações diversas sobre este medicamento. É composta de vários tópicos. Vejamos os principais:

 

Nome do Medicamento

Aqui encontramos o nome genérico, que é o nome comum, pelo qual o medicamento é conhecido como substância isolada, sem levar em conta o fabricante. Deve ser escrito com a letra inicial minúscula.

Esse nome é dado de acordo com a DCB (Denominação Comum Brasileira). Também encontramos aqui o nome comercial, que é o  nome dado pelo fabricante, de acordo com critérios próprios. Às vezes encontramos, ainda, o  nome químico, que descreve a estrutura química do fármaco.

 

Formas e Fórmulas 

Forma farmacêutica é a forma que o medicamento apresenta, por exemplo: cápsula, drágea, xarope, suspensão etc. Fórmula farmacêutica, também chamada de composição, diz o que contém cada medicamento, ou seja, cada um dos componentes e em que quantidade.

Por exemplo: 

Diclofenaco potássico

Drágeas de 50 mg - embalagem com 10 unidades. 

Drágea é a forma farmacêutica e 50 mg é a dosagem que a drágea apresenta. Podemos dizer que a drágea contém 50 mg de princípio ativo.

Gotas

Diclofenaco potássico - 15 mg/ml

A forma farmacêutica é solução (no caso em gotas) e a fórmula é o nome do princípio ativo e sua respectiva dosagem.

 

Informações ao paciente 

São orientações a serem dadas ao usuário do medicamento, como: prazo de validade; onde guardar o medicamento (geladeira, ao abrigo da luz etc); manter o medicamento longe do alcance de crianças etc.

 

Informações Técnicas ou Ações ou Propriedades

Indicam a ação que o medicamento causará no organismo, grupo farmacológico etc.

Por exemplo: o diclofenaco potássico é um antiinflamatório não esteróide. Esta colocação indica o grupo farmacológico. Possui ação analségica, antipirética e antiinflamatória; age inibindo a biossíntese de prostaglandinas. Indica a ação do medicamento no organismo.

 

Indicações 

Para quê, em que casos deve-se usar este medicamento. Esse medicamento deverá ser utilizado em casos de febre, mal-estar e cansaço.

 

Contra-Indicações

Indicam problemas, sintomas, doenças etc que, se o paciente apresenta antes do uso do medicamento, não deverá fazer uso dele.

Por exemplo: contra-indicação em pacientes que apresentam úlcera péptica e em pacientes com hipersensibilidade ao medicamento. Ou seja, pacientes que tenham estes problemas, não deverão utilizar-se deste medicamento.

 

Precauções    

São cuidados que se deve tomar durante o uso do medicamento

Por exemplo: recomenda-se ingerir com água; evitar bebidas alcoólicas, suspender o tratamento, se houver hemorragia.

 

Reações Adversas

São efeitos que podem ocorrer após o uso do medicamento

Por exemplo: distúrbios gastrointestinais; cefaléia, erupção cutânea.

 

Interações Medicamentosas

São  problemas que pode, ocorrer, quando se administram dois medicamento ao mesmo tempo ou, por algum motivo, eles se encontram dentro do organismo.

Por exemplo: o uso de diclofenaco sódico com digoxina aumenta a concentração de digoxina no sangue. O diclofenaco associado aos anti-diabéticos orais e insulina, diminui a atividade anti-diabética.

 

Posologia 

Indica qual a dose do medicamento a ser administrada. Alguns citam a dose máxima diária, que nunca deve ser ultrapassada.

Por exemplo:

Adultos: a dose inicial é de 100 mg. As doses subseqüentes devem ser de 50 mg, de 8/8 horas. Dose máxima: 200 mg/dia

Crianças: a dose é de 0,6 a 1,8 mg/kg/dia a ser administrada de 8/8 horas. Significa que a criança, por exemplo, com 10 kg deverá tomar de 6 a 18 mg do medicamento por dia. Como irá tomar de 8/8 horas, deverá tomar em cada horário de 2 a 6 mg.

 

Superdosagem 

Indica o que fazer no caso de uma intoxicação.

Por exemplo: não provocar vômito; procure um médico; os sinais de superdosagem são náuseas e vômitos.

 

Nome do Fabricante 

Consta o nome, endereço, CGC, registro no Ministério da Saúde e o nome do farmacêutico com seu registro no Conselho Regional de Farmácia.

Todo medicamento deve  ter o registro no Ministério da Saúde. Este número indica que este medicamento está de acordo com os preceitos do ministério e sujeito à fiscalização da Vigilância Sanitária.

produtos sem este registro, existem de forma irregular, não devendo ser utilizados.

 

Conclusão

Todos lêem a bula. O que a maioria não sabe é que existem erros nelas. Alguns produtos não trazem todas as informações ou as trazem incompletas. Podemos dizer que não existem medicamentos sem efeitos colaterais. Porém, algumas bulas não os trazem.

Por exemplo: é impossível que dois medicamentos, de laboratórios diferentes, mas com o  mesmo princípio ativo: um apresente uma bula com  muitas informações e o outro não. Os itens como indicações, contra-indicações, efeitos colaterais, precauções, posologia, entre outros, são iguais. Como as bulas podem ser diferentes?

Pense bem: ácido acetilsalicílico (aspirina) faz mal? Não, todo mundo toma? E se o paciente tiver úlcera, como fica? E a vitamina C (ácido ascórbico)? e este mesmo paciente pode tomá-lo? Devemos sempre saber de onde retiramos as nossas informações, para não cometermos erros.

Fonte: Âmbito Farmacêutico - atualização do balconista no 8/1998

          Texto: Farmacêutica Ana Beatriz Castelo Branco Destruti